O Voleibol Brasileiro no Mundo

Competições, Notícias e Regras Oficiais.

Algumas considerações importantes acerca do desenvolvimento do Voleibol nos últimos 20 anos

Artigo sobre o desenvolvimento do voleibol 

Por ALEXANDER STEEL, Presidente da Comissão das Regras do Jogo da FIVB
 
 http://www.arbitrosdevoleibol.com/PT/Arquivos/Algumas_Consideracoes.pdf 

3 de setembro de 2009 Posted by | História, Notícias, Orientações Gerais, Temporada 2009 | Deixe um comentário

Paraná fica em sexto na classificação geral das Olimpíadas Universitárias Brasileiras

Handebol da Unopar, de Londrina

Handebol da Unopar, de Londrina

O Paraná ficou em sexto lugar na classificação geral das Olimpíadas Universitárias Brasileiras, em Fortaleza, no Ceará, encerradas sábado (22/8), uma posição abaixo do desempenho em 2008, em Alagoas. “Esperávamos melhorar, com as nossas equipes coletivas mantendo a regularidade e as individuais aumentando o rendimento. Mas todas as federações de uma maneira geral também subiram de produção, tornando a competição mais equilibrada”, analisou o presidente da Federação de Desportos Universitários do Paraná (FPDU), Ney Mecking, também diretor de Esportes da Paraná Esporte.

Também acompanhando as atuações das equipes paranaenses, em Fortaleza, o diretor-presidente da Paraná Esporte, Marco Aurélio Saldanha Rocha, viu as dificuldades na competição e se propôs a estudar soluções para o Estado melhorar o desempenho. “Sentimos que muitas equipes vieram desfalcadas, não só por contusões mas, talvez, em razão da crise, por falta de recursos financeiros, e outros atletas nem vieram por questão econômica mesmo. E são os resultados que aparecem, que repercutem na mídia”, constata Marco Aurélio.

Futsal da Unopar

Futsal da Unopar

No último dia de competições, além das medalhas nas modalidades coletivas – ouro da Unopar (masculino) no handebol e bronze da Unopar (feminino) no futsal e da FAG (feminino) no handebol – , outras medalhas paranaenses foram na natação e atletismo. Na natação, Flávia Borges, da Dom Bosco, de Curitiba, ganhou mais uma medalha de ouro, nos 100 metros livre, com a marca de 58”04 (a outra havia sido nos 200 metros livres) e Rafael do Amaral Budid, também da Dom Bosco, de Curitiba, ganhou a de bronze nos 100 metros peito com tempo 1’17”29 (ela já havia ganho a de prata nos 200 metros peito).

No atletismo foram conquistadas no último dia de provas duas medalhas de prata e uma de bronze. As de pratas foram de Helquer Gatto Rigone, da Unopar, no 800 metros rasos, com a marca de 1′ 52”14; e de Elton Ricardo de Oliveira Costa, da UEM, nos 110 metros com barreiras, em 14”57. A de bronze foi de Aline Fernanda Sanches, da Unopar, no salto em altura, com a marca 1,69 metros. No total, foram nove medalhas no atletismo; quatro de prata e cinco de bronze. 
Na natação foram ganhas quatro medalhas pelos paranaenses: duas de ouro, uma de prata e uma de bronze. O Paraná ainda teve medalhas no judô: uma de ouro e outra de prata. Nas individuais só não ganhou no xadrez, em que a melhor posição foi um quarto lugar da aluna Fernanda de Oliveira Pereira, da UEM, de Maringá, e um sétimo do campeão de 2007, Jomar Egoroff, do Cesumar, de Maringá.

26 de agosto de 2009 Posted by | História, JUP'S, Notícias | Deixe um comentário

A história do Vôlei de Praia

O vôlei de praia começou oficialmente em 1920, nas praias do Havaí, com partidas disputadas por equipes de seis jogadores. Mas há indícios de que o esporte já era praticado em Santa Mônica, na Califórnia. Em 1927, o esporte atravessou o Oceano Atlântico e se converteu em uma das atividades mais populares dos acampamentos nudistas de Francoville, na França. Já nos anos 30, era praticado assiduamente nas cidades francesas de Palávas, Lacuana e Royan, em Praga, na Tchecoslováquia, e na cidade de Riga, na Letônia. Entretanto, foi nas praias de Santa Mônica, nos Estados Unidos, que começou a diminuir a quantidade de jogadores por equipe. Primeiro, o número se reduziu para quatro e, posteriormente, para dois.

Em 1947, foi disputado o primeiro torneio oficial de duplas masculinas, jogado em State Beach, na Califórnia. Um ano mais tarde, a companhia Pepsi-Cola realizou um torneio de grande sucesso com prêmios em dinheiro. O torneio provocou uma “febre” pelo jogo e culminou na organização do primeiro circuito de vôlei de praia na Califórnia, envolvendo as cidades de Santa Bárbara, State Beach, Corona Del Mar, Laguna Beach e Santa Mônica, com a participação de centenas de jogadores. Na mesma época, foi disputado no Brasil o primeiro torneio, patrocinado pela empresa Newspaper Publishing.

A primeira entidade encarregada de criar torneios e unificar as regras, a Associação de Voleibol de Praia da Califórnia, foi fundada em 1965. Nesse mesmo ano, foram disputados os torneios de Tahoe, Santa Cruz, Santa Bárbara e San Diego. Em 1976, o vôlei de praia se converteu em um esporte de grande popularidade, impulsionado pela realização do primeiro campeonato mundial. O evento foi realizado em State Beach, nos Estados Unidos, e foi acompanhado por um público de mais de 30 mil espectadores.

Na temporada 1989/90, foi criado o Circuito Mundial de Vôlei de Praia, com torneios no Brasil, Itália, Japão e Estados Unidos. No dia 8 de setembro de 1990, a FIVB (Federação Internacional de Vôlei), reunida na cidade de Lausanne, na Suíça, resolveu discutir as futuras regras e o calendário da modalidade. No congresso, foram escolhidos França, Itália, Japão e Brasil como países-anfitriões dos campeonatos mundiais masculinos.

Em 1992, o vôlei de praia se tornou um esporte profissional. Nos Jogos de Barcelona, ainda como esporte-exibição, fez grande sucesso junto ao público, que lotou as praias de Almería. No ano seguinte, Juan Antonio Samaranch, então presidente do COI, Billy Paine, presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, e outros membros do COI assistiram, junto a 140 mil espectadores, às finais do Campeonato Mundial realizadas nas praias do Rio de Janeiro. No dia 24 de dezembro do mesmo ano, o vôlei de praia foi reconhecido como esporte olímpico.

A primeira competição olímpica foi realizada no mês de julho de 1996 em Atlanta Beach, em um estádio com capacidade para 10 mil espectadores. Os ingressos para o evento se esgotaram com um ano de antecedência. No Pan, a estréia aconteceu três anos depois, na cidade canadense de Winnipeg.

Em 1987 o esporte foi oficializado pela Federação Internacional de Voleibol, FIVB, e foi realizado em Ipanema o primeiro mundial. Em 1989 criou-se o I Circuito Mundial de Vôlei de Praia Masculino. Depois, as mulheres passaram também a competir em um circuito internacional – o Women’s World Championship Series. O Brasil é sede de etapas dos dois circuitos.

O vôlei de praia começou no Brasil na década de 50, com torneios amadores espalhados pelas praias do Rio de Janeiro, berço do esporte no Brasil.

Em 1986, foi realizado o primeiro campeonato oficial chamado Hollyood Volley. Desde então, o vôlei de praia tornou-se o esporte que mais cresceu no mundo. Tornando – se o esporte a ingressar mais rápido nas Olimpíadas, entrando como teste em 1996, e sendo em 1997 oficializado para 2000! O Brasil já tem seu nome marcado na história do vôlei de praia como esporte olímpico por ter as primeiras campeãs e vice da história.

No início, o vôlei de praia, era praticado também por duplas mistas! E hoje, já existe mais uma extensão do esporte: o 4 x 4.

O Brasil tem hoje, sem dúvida, alguns dos melhores atletas de vôlei de praia. Jacqueline e Sandra Pires: Campeãs olímpicas, são as atuais campeãs mundiais e detinham até pouco tempo a primeira colocação no ranking. Mônica e Adriana: medalha de prata em Atlanta, foram campeãs mundiais em 94, além de conquistarem e medalha de prata nos jogos da Amizade, 94. Franco e Roberto Lopes, que também representaram o Brasil em Atlanta, foram campeões do Circuito Mundial em 94 e 95. Zé Marco e Emanuel, terminaram a temporada de 96 em primeiro lugar e também representaram o Brasil em Atlanta.

Nas Olimpíadas de Sydney em 2000, o esporte obteve um excelente resultado, obtendo 1/3 de todas as medalhas obtidas pelo Brasil nos Jogos.

Em 2003, o Brasil sediou o Campeonato Mundial de Vôlei de Praia, que foi disputado na cidade do Rio de Janeiro no mês de outubro (2003).

2003 – Em Santo Domingo, na República Dominicana, o vôlei de praia disputou pela segunda vez uma edição dos Jogos Pan-Americanos. No masculino, Paulo Emílio e Luizão garantiram a medalha de prata. Na final, perderam para os cubanos Alvarez e Rossell. No feminino, Larissa e Ana Richa ficaram com o bronze. O título ficou com Grasset e Peraza, de Cuba.

2004 – Emanuel venceu, pela primeira vez, o Torneio Rei da Praia, em Ipanema. No feminino, uma surpresa: Val ficou com a coroa. Três duplas brasileiras garantiram mais uma vez o país no pódio dos Campeonatos Mundiais sub-18 e sub-21. Na Itália, Carolina Solberg e Bárbara asseguraram a medalha de prata no Mundial sub-18. Em seguida, em Portugal, Carolina assegurou o ouro ao lado de Taiana, que, dessa forma, tornou-se bicampeã mundial sub-21. No masculino, bronze para Pedro Solberg e Moisés.

2004 – Nas Olimpíadas de Atenas, uma conquista histórica. Ricardo e Emanuel brilharam e conquistaram a medalha de ouro superando, na decisão, Bosma e Herrera, da Espanha. A medalha de bronze ficou com Heuscher e Kobel, da Suíça. Adriana Behar e Shelda garantiram a segunda medalha de prata olímpica. Um feito para poucos. Na final, Adriana Behar e Shelda perderam para as norte-americanas Walsh e May, favoritas ao título. O pódio olímpico foi completado por mais uma dupla dos Estados Unidos: McPeak e Youngs. Ana Paula/Sandra e Márcio/Benjamin terminaram a competição em nono lugar. O Brasil voltou a dominar o Circuito Mundial. Ricardo/Emanuel e Adriana Behar/Shelda ficaram com o primeiro lugar no ranking.

volei-de-praia2005 – Emanuel é bicampeão do Torneio Rei da Praia. Juliana, participando pela primeira vez, fica com o título do Rainha da Praia, e no pela primeira vez, o Brasil sediou o Campeonato Mundial Sub-21. A competição foi disputada nas areias de Copacabana. Entre as meninas, vitória brasileira com Carolina Solberg e Camillinha. No masculino, o título ficou com a Lituânia. Pedro Solberg e Tiago ficaram em quarto lugar. Márcio e Fábio Luiz mantiveram a tradição brasileira no Campeonato Mundial. Disputado de dois em dois anos, a competição foi realizada em Berlim, na Alemanha. Na decisão, Márcio e Fábio Luiz derrotaram os suíços Paul Laciga e Markus Egger. No feminino, Larissa e Juliana conquistaram a medalha de prata. O ouro ficou com as norte-americanas Walsh e May, bicampeãs.

2005 – Ricardo/Emanuel e Larissa/Juliana sagraram-se campeãs da temporada do Circuito Mundial. No masculino, as três primeiras posições no ranking foram do Brasil. Márcio/Fábio Luiz e Harley/Benjamin terminaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares. No feminino, Adriana Behar e Shelda ficaram com a terceira colocação.

2006 – No Circuito Mundial, Ricardo/Emanuel garantiu o tetracampeonato e Larissa/Juliana ganhou o segundo título consecutivo.No Circuito Banco do Brasil, Ricardo/Emanuel e Larissa/Juliana foram as duplas campeãs. Ao término da temporada, Ricardo e Larissa foram eleitos os melhores jogadores da competição.No Campeonato Mundial Sub-21, na Itália, Bárbara Seixas e Carolina Aragão deram ao Brasil a quinta medalha de ouro em seis edições. No masculino, Bruno Schmidt e Pedro Solberg foram os campeões na Polônia, recuperando o título que o Brasil não ganhava desde 2004.

25 de agosto de 2009 Posted by | História | 3 Comentários

Prata olímpica da geração de 1982 completa 25 anos

Setembro de 1982. O Brasil conhece a seleção masculina de vôlei, faz festa e cria ídolos. Agosto de 1984. O Brasil se decepciona com a medalha de prata e chora com aqueles ídolos. Dois momentos marcantes para uma geração que colocou o nome do voleibol brasileiro no cenário mundial.

A histórica prata nos Jogos de Los Angeles-1984 completa 25 anos neste mês de agosto. Uma conquista um pouco amarga, mas que ajudou o jogo a ser admirado no país e impulsionou a trilha para chegar ao topo do mundo oito anos depois, em Barcelona. E agora voltar, com o título da Liga Mundial. Relembramos as  histórias de como aquela equipe se formou, dos treinosprimeiros autógrafosbrigas que acabaram com o time de prata.

Seleção brasileira de volei de 1984

Seleção brasileira de volei de 1984

Quem era quem
“O núcleo central era composto por Bernard, William e Fernandão. Junto com eles estavam Renan, Amauri, Montanaro, Xandó e Badá. Eram os oito principais jogadores”, afirma Bernardinho, o levantador reserva da equipe prata e hoje todo-poderoso do vôlei nacional. “Os demais, como eu, [Domingos] Maracanã, Leo, Marcos Vinícius brigavam para entrar nesse time. Tudo girava em torno daqueles nomes. Era um grupo muito fechado”, explica o atual técnico da seleção masculina.

Primeiros passos
O primeiro grande desafio dessa seleção foi a Olimpíada de Moscou, em 1980. Xandó estava machucado, Renan não brilhou e Moreno, remanescente da geração anterior, não pode participar de todos os jogos. Resultado: Brasil em quinto lugar, e ouro para a União Soviética. “Não jogamos com todo o potencial daquele time. Poderíamos ter ido mais longe”, analisa Bernardinho. “A União Soviética era imbatível e a Bulgária tinha um grande time, tanto que foram os primeiros. Com as outras a gente poderia ter lutado mais”, completa.

Um ano depois, o Brasil subiu ao pódio. Sob o comando do técnico Bebeto de Freitas, ficou com o bronze na Copa do Mundo depois de vencer a Polônia. “Foi uma disputa dramática e uma conquista fantástica. Mas ninguém ficou sabendo. A mídia nem falava direito de vôlei”, conta Montanaro.

Primeiro título e primeiro vice
No ano seguinte, a seleção masculina vararia febre nacional. Na preparação para o Campeonato Mundial, o país sediou o Mundialito, no Rio de Janeiro. Foi neste torneio que Bernardinho fez seu melhor jogo. O Brasil perdia por 9 a 1 para o Japão e conseguiu virar e vencer. “Foi o melhor momento da minha vida como jogador”, lembra o ex-levantador. Na final, a equipe brasileira venceu a gigante União Soviética por 3 sets a 2 diante de 20 mil pessoas que lotaram o ginásio do Maracanãzinho.

Seleção de Montanaro, Renan, William e companhia ajudou na popularização da modalidade no País

Seleção de Xandó, Renan, Bernard, Amauri, Fernandão e William , esse era o time base que ajudou na popularização da modalidade no País

Torcida e imprensa estavam conquistadas. Com o título, os jornais passaram a noticiar a seleção masculina e colocar o Brasil entre os melhores do mundo. O resultado foi o aumento de interesse por parte do público e ginásios mais cheios. A televisão também passou a transmitir as partidas, e a compreendido dos macetes do esporte se disseminou.

O time estava pronto para o Mundial, que começaria no dia 2 de setembro de 1982, na Argentina. Para conquistar a torcida local, os brasileiros distribuíram bonés e camisetas antes dos jogos. O Brasil foi passando pelos adversários e ganhando status.

Na primeira partida, arrasou a Líbia por 3 a 0, com direito a dois sets com 15 a 0 no placar (na época, cada parcial tinha 15 pontos e o time tinha que primeiro conquistar uma vantagem, assumir a posse de bola e, depois, concretizar o ponto). Na sequência, repetiu o mesmo placar sobre o Iraque. A primeira derrota foi contra a Tchecoslováquia, por 3 sets a 1. Na segunda fase, depois de grande confusão da organização, que mudou as chaves do torneio, a seleção venceu Polônia e Cuba pelo mesmo placar: 3 a 0. A vaga na semifinal veio em um 3 a 1 contra a Bulgária e, para encerrar a fase, com titulares poupados, Brasil perdeu para União Soviética por 3 a 0.

Nos dias de hoje a seleção que ganharia a prata em Los Angeles

Paulo Sérgio Rocha Angeles (preparador físico), Badá, Bernard, Renan, Amaury, Xandó, e Rui. Sentados: Montanaro, Willian, Marcus Vinícius, Fernandão e Domingos Maracanã.

Na semifinal contra o Japão, os principais jogadores estavam descansados, e o time venceu por 3 a 0 para garantir a vaga em Los Angeles. Na final, mais uma vez os soviéticos se sobrepuseram. A seleção perdeu por 3 sets a 0, mas já estava na elite do esporte.

Mesmo com o segundo lugar, o vôlei ganhou status entre os esportes no Brasil em um ano de decepções como a Copa do Mundo de futebol e Nelson Piquet na Fórmula 1. “O grito de gol foi transferido para o vôlei”, analisa Montanaro, atacante da geração de prata e hoje gerente do Brasil Vôlei Clube. Na volta para casa, os jogadores foram recepcionados com festa no aeroporto.

A prata olímpica
Agosto de 1984. Chegou a Olimpíada de Los Angeles. Pela primeira vez, a seleção brasileira masculina iria para um torneio mundial como favorita, ajudada pelo bicampeonato pan-americano em Caracas-1983. Para facilitar, a União Soviética não participou dos Jogos em resposta ao boicote dos Estados Unidos aos Jogos de Moscou. “Nós éramos totalmente conhecidos. Idolatravam a gente e confiavam naquele time”, afirma Montanaro. Foram mais de 400 horas de treinos e o time estava concentrado desde janeiro. Eles estavam prontos para lutar pelo ouro.

Na fase classificatória, vitórias sobre Argentina e Túnisia. Contra a Coreia do Sul, na partida que valeria vaga na semifinal, derrota por 3 sets a 1. No jogo seguinte, 3 a 0 nos Estados Unidos e o lugar na semi. “Viemos aqui buscar o ouro e só vamos sair como ele no peito”, disse Amauri depois da classificação. Na semifinal, Brasil venceu a Itália por 3 a 1 e encararia de novo os donos da casa na decisão.

Na temporada haviam sido nove vitórias brasileiras sobre os norte-americanos. Mas, na final olímpica, os Estados Unidos faturam o jogo com um 3 a 0, com parciais de 15/06, 15/06 e 15/07. “Perdemos para nós mesmos. A gente tinha condições técnicas para vencer, mas não tinha cabeça”, analisa Amauri. “Foi muita vaidade dentro da quadra. Um quis aparece mais que o outro. Foi a medalha de ouro mais certa que a gente deixou escapar”, explica o ex-central. A torcida também sentiu a decepção da medalha de prata. Dessa vez, não teve nenhuma festa no desembarque do time.

Com a sensação de ser eterno vice, como disse o levantador William ao jornal Gazeta Esportiva depois da derrota em Los Angeles, a seleção passou por muitas crises, brigas internas e se separou no final de uma era. Mesmo com a ausência de um grande título, com os vices no Mundial e na Olimpíada, aquele time entrou para a história do esporte nacional. Além disso, abriu caminho para o desenvolvimento de uma nova geração, com mais estrutura, que seria campeã olímpica em Barcelona.

“A fama subiu à cabeça de todos”, diz Montanaro sobre fim da geração; onde eles estão agora?

Jogadores da seleção brasileira dos anos 80 saíram do anonimato e viraram ídolos em poucos anos; brigas internas minaram uma talentosa e pioneira seleção

Fernadão, Bernard Xandó e Rui, no fundo, jogadores da seleção brasileira dos anos 80, que saíram do anonimato e viraram ídolos em poucos anos, infelizmente brigas internas minaram uma talentosa e pioneira seleção

, Quando se tem fama, dinheiro e sucesso, além de aprender a lidar com a cobrança para se manter entre os melhores, é necessário aprendera lidar com a vaidade de cada um. Os brasileiros voltaram da Olimpíada de Los Angeles com a medalha de prata e eram ídolos nacionais. Mas não engoliram a frustração de um segundo lugar no torneio em que era apontados como favoritos, e os problemas começaram a aparecer.

“Passamos de amadores a profissionais, éramos ídolos nacionais, e não soubemos lidar com isso. Um queria mostrar que era melhor que o outro, e perdemos o foco, que era jogar voleibol”, explica Bernardinho, levantador reserva daquela equipe.  “A fama subiu à cabeça de todos. Os contratos de publicidade aumentaram, começou e entrar dinheiro e a coisa começou a pegar”, conta Montanaro, ex-atacante.  “De repente, alguém faltava a um treino para filmar uma campanha publicitária e quem estava lá, trabalhando, ficava se perguntando se aquilo era justo”, lembra Amauri, meio-de-rede na Olimpíada.

Após essa quebra, a seleção não conseguiu subir ao pódio até 1987, tendo como melhor posição i quarto lugar na Copa do Mundo de 1985 e a mesma colocação no Mundial da França, em 1986. O time passou por uma renovação e contou com a chegada de nomes como Maurício, Carlão e Paulão, que seriam campeões olímpicos em Barcelona, 1992.

O comando ficou com o sul-coreano Young Wan Sohn, convidado pela CBV, que não agradava aos atletas. “Ele deixava a gente batendo bola e ia fumar”, conta Amauri. Os jogadores, revoltados, escreveram uma carta pedindo a saída do técnico, o Manifesto de Miami. Mas o documento acabou caindo nos jornais, e Carlos Arthur Nuzman, hoje presidente da CBV, não gostou nada – desconvocou todo o time e manteve Sohn no comando.

Pouco depois, um mês antes da Olimpíada de Seul, em 1988, o sul-coreano foi afastado. E Bebeto de Freitas voltou ao comando. Com ele, voltaram os jogadores da geração de prata, com exceção de Bernard e Bernardinho, que ficaram conhecidos como “os intocáveis”. Brasil foi aos Jogos e perdeu o bronze para a Argentina.

No ano seguinte, a situação do vôlei no país piorou. “As condições de treinamento não eram boas”, diz Montanaro, referindo-se aos treinos em Itapecerica da Serra, em São Paulo. “O ginásio não recebia os cuidados que a nossa prática exigia. No alto rendimento, qualquer poeirinha atrapalha. Reivindicamos algum pagamento e melhores condições de trabalho, mas Nuzman não nos atendeu e deixamos a seleção”, conclui o ex-atacante.

Apesar da separação do time, quase todos os jogadores daquela geração seguiram no esporte. Veja o que cada um deles está fazendo atualmente:

Em pé, da direita para a esquerda: Major Paulo Sérgio da Rocha, Jorge Barros (Jorjão), Bernard, Leonídio, Fernandão, Rui, Xandó, Domingos Maracanã, Amaury, Bebeto de Freitas e José Carlos Brunoro. Sentados, da esquerda para a direita: José Mathias, Marcus Vinícius, Montanaro, Bernardinho, Renan, William, Ronaldão, Cacau e Badá.

Em pé, da direita para a esquerda: Major Paulo Sérgio da Rocha, Jorge Barros (Jorjão), Bernard, Leonídio, Fernandão, Rui, Xandó, Domingos Maracanã, Amaury, Bebeto de Freitas e José Carlos Brunoro. Sentados, da esquerda para a direita: José Mathias, Marcus Vinícius, Montanaro, Bernardinho, Renan, William, Ronaldão, Cacau e Badá.

Montanaro: gerente do time de vôlei de São Bernardo do Campo Brasil Vôlei Clube

William: técnico do time feminino do Vôlei Futuro, de Araçatuba, interior de São Paulo

Renan: gerente de esportes do time Cimed, de Florianópolis

Xandó: supervisor de esportes da Secretaria Municipal de São Paulo

Bernardinho: técnico da seleção masculina brasileira

Marcus Vinícius: superintendente executivo de esportes do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e foi chefe da delegação nacional em jogos como o Pan-Americano e a Olimpíada de Pequim

Amauri: presidente da Associação Brasileira de Voleibol Paraolímpico e técnico do time de vôlei sentado na Olimpíada de Pequim

Bernard: seguiu carreira política e é presidente da Comissão de Atletas do COB

Maracanã: trabalha no projeto de inclusão social da Federação Paulista de Futebol

Fernandão: é professor do curso de Direito Desportivo da UniverCidade, do Rio de Janeiro, e já foi comentarista e colunista de vôlei e assessor de Bernard na Assembleia Legislativa

Rui Campos: gerente de esportes do departamento nacional do Sesi

Badá: único que deixou o esporte e foi cuidar de uma pousada

Bebeto de Freitas (técnico): até a terça-feira deste semana era diretor-executivo do departamento de futebol do Atlético-MG

Carlos Arthur Nuzman (presidente da CBV na época): presidente do COB.

21 de agosto de 2009 Posted by | História, Notícias | 2 Comentários

CURIOSIDADES

  • Mintonette foi a primeira designação para o Voleibol;
  • Surgiu nos Estados Unidos da América em 1985;
  • O criador do Voleibol foi o Norte-americano William Morgan diretor do departamento de Educação Física da Associação Cristã de Moços de Massachusetts mais propriamente da cidade de Holioke;
  • As primeiras dimensões da quadra de voleibol eram de 15 metros de cumprimento e aproximadamente 8 metros de largura;
  • A rede antigamente tinha 61 cm de largura por 8,23m de comprimento. E a altura do chão ao bordo superior da rede era de 1,98m;
  • A primeira participação da modalidade foi nos Jogos Olímpicos de Tóquio (Japão), em Outubro de 1964, com a presença de dez países no naipe masculino: Japão, Romênia, Rússia (antiga – URSS), Checoslováquia, Bulgária, Hungria, Holanda, Estados Unidos, Coréia do Sul e Brasil;
  • O recorde mundial de público em um jogo de voleibol pertence ao Brasil contra a Itália. Estiveram presentes 26500 pessoas;
  • O Brasil é o único país que disputou todas as edições dos Jogos Olímpicos;
  • O jogo mais demorado foi o de atribuição do 1.º e 2.º lugar dos Jogos Olímpicos de 1976, onde Polônia e União Soviética jogaram durante 4horas e 36 minutos;
  • O Brasil é o único país que disputou todas as edições dos Jogos Olímpicos, conquistando duas medalhas de prata em Los Angeles e Pequim, no masculino e três medalhas de Ouro em Barcelona, Atlanta no masculino e Pequim no feminino.

5 de agosto de 2009 Posted by | História | 4 Comentários

Ball e o ano especial dos Estados Unidos

 

Loyd Ball

Lloy Ball

O levantador americano Lloy Ball, campeão olímpico e da Liga Mundial e da Copa América este ano, concedeu uma entrevista e entre os assuntos abordados, ele, que jogará mais uma temporada na Rússia, falou do momento da carreira, das conquistas, e do esporte em geral.

 

VÔLEI DOS ESTADOS UNIDOS

Infelizmente, o vôlei nos Estados Unidos não tem o mesmo tratamento que tem no Brasil, mas esperamos que com esta vitória, que nossa federação de vôlei veja e reconheça a importância de um campeonato no país, e ter seus bons jogadores treinando e jogando em casa, assim como os brasileiros, os italianos e os russos. Por causa disto, precisamos viajar o mundo para jogar ligas profissionais. Esperamos que uma liga se desenvolva para que jovens jogadores atuem e apareçam para o futuro.

MELHOR TIME DO MUNDO?
É difícil dizer isto. O vôlei está mudado. Você joga todo o ano, sem pausas. Eu disse antes dos Jogos Olímpicos para a minha equipe que o melhor time nem sempre vence, porque você precisa ter outras coisas para que tudo dê certo. Mas eu realmente acreditei que naquelas duas semanas em Pequim era que nós tínhamos o melhor time da Olimpíada.

VITÓRIAS SOBRE O BRASIL
Para ser honesto, a grande diferença foi a mentalidade de nosso time. Todos dizem que o Brasil teve o melhor time nos último cinco ou seis anos. E eu sou a primeira pessoa a concordar com isto. Acho que os fãs, a mídia, e até mesmo os times e jogadores ficaram impressionados com a velocidade dos brasileiros, com a maneira com que Dante ataca, com a velocidade do Giba e do André Nascimento no ataque. As outras equipes assistiram aos jogos do Brasil como fãs, e se assustaram com isto. O time americano compreendeu que mesmo que o time brasileiro tenha um jogo mais belo do que qualquer outra equipe, um ponto continua a ser um ponto. Um ponto bonito é o mesmo que um ponto feio, um ponto terrível. É a mesma coisa. Nós não ficamos tão oprimidos e fascinados com o belo jogo que o Brasil realizava às vezes, e compreendemos que era apenas um jogo, um ponto. Com isto, nosso time não se empolga ou fica nervoso quando os enfrenta agora.

MOMENTO ESPECIAL DA CARREIRA
Alguns anos atrás, eu decidi que ser o melhor levantador ou jogador de uma competição não importa para mim. O que importa para mim é que o time vença. Se o time vencer a medalha de ouro, e eu não conquistar prêmios individuais, está perfeito. O mais importante são as vitórias, e não estas coisas extras.

RELAÇÃO COM BRASILEIROS
Joguei com Dante dois anos no Modena, então eu conheço ele, a esposa e os filhos dele muito bem. O Marcelinho, eu conheci na Grécia, o considero uma grande pessoa. E com o Giba tenho uma grande amizade, dentro e fora da quadra. Falamos-nos muito. Eu os respeito como jogadores, mas o que é mais importante, os respeito como pessoas.

APOSENTADORIA
Teremos um ano longo aqui na Rússia. Depois da temporada sentarei com minha mulher e com meus filhos e decidiremos o que vamos fazer, se eu continuarei a jogar ou se eu vou parar. Acredito que nos próximos dois ou três anos eu vou parar de vez.

28 de novembro de 2008 Posted by | Grandes Jogadores, História | Deixe um comentário

Mari fez a escolha Certa?

Marianne Steinbrecher

Marianne Steinbrecher

Uma das principais jogadoras brasileiras da atualidade, Mari já atuou em diversas posições na quadra, mas sua especialização como ponta passadora veio a contribuir para o seu crescimento e amadurecimento

 

Aos 14 anos de idade, Marianne Steinbrecher iniciou sua carreira no voleibol, em um time da cidade de Rolândia, Paraná, onde ela cresceu. Não demorou muito tempo para ela despertar atenção de seu técnico, o Betinho, que logo a indicou para um time em Londrina, o Grêmio Londrinense. Lá, Mari atuou como meio-de-rede e, apesar de ainda ser muito nova, já mostrava toda a sua personalidade forte dentro da quadra.
Suas atuações lhe renderam uma vaga nas categorias de base do Finasa de Osasco, onde inicialmente atuou como meio-de-rede e ponteira. Em 2003 foi para a equipe adulta como oposto ganhando espaço na sua nova função e permaneceu o resto da temporada em quadra.
O técnico de Mari na época, José Roberto Guimarães, ficou impressionado com sua atuação e a convocou para a Seleção Brasileira, onde ela fez partidas excepcionais na saída, chegando a fazer 37 pontos em um único jogo. Em 2005, a jogadora realizou uma cirurgia no ombro, na qual a manteve afastada das quadras por quase um ano.
No seu retorno, Mari decidiu que iria se dedicar por completo como ponteira, tendo esse, seu principal desafio. Saiu do Brasil para ser titular no mais competitivo campeonato de voleibol feminino do mundo, o italiano, onde vestiu a camisa do Scavolini Pesaro. Pelo clube, Mari conquistou três títulos, dois scudettos (2007/2008), e o campeonato nacional.
Mari, que é uma das superaquisições feitas pelo São Caetano/Blausiegel para disputar a temporada 2008/2009, desde o início de sua carreira já atuou como ponta, oposto, meio-de-rede e até mesmo como levantadora, e ainda sim, alternou durante muitos momentos entre as posições, em alguns casos em que foi preciso, mostrando assim, toda a sua técnica, talento e versatilidade como jogadora.
A mudança de posição da Mari foi, sem dúvidas, o maior desafio que ela teve em toda a sua carreira, desafio esse que fez com que ela crescesse muito dentro da sua profissão. Sobre essa mudança, a ponteira do São Caetano/Blausiegel nos declarou:
– Acredito que ter virado ponteira só me trouxe vantagens, pois essa posição de passadora sofre carência tanto no Brasil como no mundo inteiro. Jogar como oposta é mais fácil de fazer, porque não existe uma necessidade de se preocupar com o passe. Quando não quiser atuar mais como ponteira, posso voltar para a saída, pois foi algo que eu sempre fiz. Atuar na ponta abriu meus horizontes, não foi uma escolha. Quando precisou, o Zé virou para mim e disse: “Mari, vai pra ponta!”. Sem nem pensar eu fui! É mais ou menos isso, não tem muito mistério. Essa mudança só me ajudou!
Até que ponto tanta versatilidade pode dificultar a sua adaptação em uma nova posição? Qual a principal diferença de uma atacante de saída para uma atacante de ponta? Qual a maior dificuldade de ser uma ponteira? Como vem sendo a atuação da Mari diante dessas dificuldades? Especialistas em vôlei e, pessoas que trabalharam diretamente com a Mari respondem essas e outras questões.

Atualmente no comando da Seleção Brasileira Juvenil Masculina, o Londrinense Percy Oncken foi o primeiro técnico da Mari no clube Grêmio Londrinense, onde, aos 14 anos ela iniciou, timidamente, sua carreira no voleibol brasileiro.
A Mari chegou até a equipe do Londrina Vôlei Clube, por intermédio de um amigo, o Betinho, que na época era técnico na cidade de Rolândia. Ele falou que tinha uma menina de muito potencial, alta etc. Eu na época estava montando a equipe de Londrina para a disputa da Superliga. Ela chegou de forma muito tímida e aos poucos foi mostrando o seu grande potencial. A partir daí, vimos o despertar de uma futura grande jogadora do voleibol nacional.
Segundo Percy, quando chegou a Londrina para jogar pela primeira vez na Superliga, Mari era muito nova, estava ainda em formação. Sua maior virtude dentro de quadra era o ataque e a segunda maior virtude era estar concentrada antes, durante e depois da ação. Em 2004, Mari foi apontada como a maior revelação do vôlei brasileiro dos últimos 10 anos. Para suprir uma carência da Seleção Brasileira, ela saiu de sua posição original, oposto, e foi para a ponta. Como você avalia essa mudança?
Percy diz que a função de ponta passadora é uma necessidade real do voleibol brasileiro e, com certeza, um dos grandes entraves que poderemos ter nos próximos ciclos olímpicos. Em função disto, acredito que a Mari seja uma aposta bastante alta da comissão técnica da Seleção Brasileira, no intuito de termos uma jogadora com o perfil que o voleibol mundial necessita. E, particularmente, acredito bastante nisto, uma vez que a própria Mari apostou bastante nesta mudança.
O voleibol de alto rendimento vive de bons resultados, e Mari conseguiu um grande e concreto passo na carreira quando fez a opção de jogar na ponta, disputando um dos maiores campeonatos nacionais do mundo – o italiano.
Lá nos tempos de Superliga pelo Londrina, a menina Mari não teve muitas oportunidades de jogar. Porém, na disputa do quinto ao oitavo lugar, essas oportunidades apareceram e ela aproveitou bem, e, foi exatamente neste momento que recebeu o convite para se transferir para uma equipe com ótima estrutura.

25 de novembro de 2008 Posted by | Grandes Jogadores, História | Deixe um comentário

Um ícone da geração de prata

Renan dal Zotto

Renan dal Zotto

O jogador - A vida de Renan dal Zotto se mistura com a própria história do vôlei brasileiro. O jogador foi um dos principais destaques da “geração de prata”, que colocou a seleção masculina entre as grandes forças do planeta, com os vice-campeonatos mundiais e olímpicos. Fora da equipe verde-amarela, ele conseguiu ainda ser respeitado no vôlei italiano, onde conquistou uma série de títulos e chegou a ser considerado “o rei de Parma”. Como se não bastasse, ele ainda arrancava suspiros das tietes, sendo eleito o símbolo sexual do esporte brasileiro no início dos anos 80. E o sucesso de Renan não se limitou a isso: como treinador, Dal Zotto ainda atingiu resultados expressivos. O que não faltam são boas histórias na carreira deste grande nome do esporte nacional.

Nascido em julho de 1960 na cidade gaúcha de São Leopoldo, Renan começou a jogar vôlei aos 12 anos. Em 1978, ganhou uma convocação para a seleção brasileira juvenil, equipe com a qual conquistou o Sul-americano. Dois anos depois, veio a primeira chamada para defender o time nacional adulto, sendo campeão sul-americano, seu primeiro título de grande expressão, em 1981, quando estava no Atlântico/Boa Vista, atuou pela primeira vez sob o comando de Bebeto de Freitas, naquela que seria a geração responsável por dar o pontapé inicial no desenvolvimento vôlei brasileiro, que no vôlei nacional ainda atuou pelo Bradesco e pela Pirelli.

O time comandado por Bebeto Freitas obteve os primeiros resultados expressivos do país no esporte, a primeira grande surpresa aconteceu no Mundial de 1982, disputado em Buenos Aires. O Brasil assustou o mundo com jogadas rápidas e um levantador formidável: William. As viradas para os temíveis atacantes Bernard, Renan, Xandó, Montanaro constituíam numa artilharia aos bloqueios adversários.
O time foi derrubando todos os oponentes e acabou chegando à final, contra a União Soviética. Um timaço que afundou as esperanças brasileiras e fez a geração engolir a sua primeira medalha de prata, com fáceis 3 a 0.

Nas Olimpíadas, um time irreconhecível entrou em quadra na final, e mais uma vez, os norte-americanos tiravam o nosso sonho de faturar uma medalha de ouro em uma competição mundial. Renan, Montanaro, Xandó, Domingos Maracanã… O técnico Bebeto fez todas as alterações, mas não conseguiu tirar a surpreendente apatia do time.

Em Seul-88, seleção que mesclava jovens como Maurício e Carlão a veteranos como Renan e William conquistou um resultado histórico em Seul-88. Durante os Jogos, o Brasil acabou sendo eliminado pelos EUA na semifinal e terminou em quarto lugar, ao ser derrotado pela Argentina por 3 sets a 2 na decisão do bronze.

Era o fim do ciclo de Renan na seleção brasileira, após dez anos de glórias e conquistas. Só faltou a uma medalha de ouro, olímpica ou mundial, para coroar a geração de Renan, mas a missão ainda não estava cumprida, mesmo o voleibol tendo se tornado o segundo esporte mais popular do país, sendo superado apenas pelo futebol.
A geração de Renan, Bernard, Xandó, William, Montanaro, Fernandão, Badalhoca, Bernardinho entre outros, conquistou o seu espaço na história do esporte nacional e, mesmo não tendo conquistado os títulos mundiais, o time atingiu reconhecimento e respeito de todo cenário internacional.

Em pé, da direita para a esquerda: Major Paulo Sérgio da Rocha, Jorge Barros (Jorjão), Bernard, Leonídio, Fernandão, Rui, Xandó, Domingos Maracanã, Amaury, Bebeto de Freitas e José Carlos Brunoro. Sentados, da esquerda para a direita: José Mathias, Marcus Vinícius, Montanaro, Bernardinho, Renan, William, Ronaldão, Cacau e Badá.

Em pé, da direita para a esquerda: Major Paulo Sérgio da Rocha, Jorge Barros (Jorjão), Bernard, Leonídio, Fernandão, Rui, Xandó, Domingos Maracanã, Amaury, Bebeto de Freitas e José Carlos Brunoro. Sentados, da esquerda para a direita: José Mathias, Marcus Vinícius, Montanaro, Bernardinho, Renan, William, Ronaldão, Cacau e Badá.

O rei da ItáliaTerminada as Olimpíadas de Seul-88, Renan, o atacante foi contratado pelo Maxicomo-Parma nessa época, o vôlei brasileiro sofria com as extinções de times e a monopolização do esporte entre Bradesco, Pirelli e Minas Tênis e, em contrapartida, o melhor campeonato de clubes do mundo reunia os melhores jogadores do planeta, como o norte-americano Karch Kiraly, o italiano Andrea Zorzi e os atletas russos.
Com humildade e muita habilidade, em menos de quatro meses, Renan levantava o seu primeiro título com a equipe de Parma. Em 1989, ele sagrava-se campeão europeu de clubes, sendo considerado também o melhor atacante da competição.
Ainda pelo Parma, Renan faturou a Copa da Itália e o bi italiano em 1991. Coroado em Parma, ele se transferiu para o Il Messaggero/Ravenna, a fim de buscar novos desafios. Jogou meia temporada e resolveu encerrar sua carreira como atleta no ano de 93.

Um comandante exemplar – Este sempre foi um sonho de Renan. Seguir no vôlei, passando aos jovens todos os seus conhecimentos e vivência nos mais de 25 anos de quadra. Este sonho virou realidade em maio de 1993, quando o atleta foi convidado pelo amigo e ex-treinador José Carlos Brunoro, na época diretor de esportes da Parmalat no Brasil, para dirigir o jovem time do Palmeiras/Parmalat na Superliga Masculina.
Era mais um desafio na carreira, com apenas 32 anos, ele tinha de comandar uma equipe, e nos início a convivência foi difícil e complicada. Porém, com o passar dos jogos, o time engrenou e o Palmeiras chegou à final da Superliga Masculina já na temporada 1993/1994.
Na decisão, o time sucumbiu diante do experiente Report/Suzano e acabou ficando com o vice. De qualquer forma, a segunda colocação já era um presente para a jovem equipe, comandada pelo levantador Talmo, integrante da seleção campeã olímpica de 1992. Tratava-se ainda da primeira conquista de sua carreira como treinador, que, no entanto, não pôde seguir na equipe paulistana, desfeita no final de 1994.
Renan então foi à Santa Catarina e dirigiu por dois anos o Chapecó, atingindo resultados expressivos com a equipe, como o vice-campeonato da Superliga, mesmo enfrentando problemas de falta de pagamento e estrutura, revelou o treinador, explicando uma das possíveis causas para a derrota de sua equipe.
A sua reputação entre os jogadores era tanta que chegou a ser cogitado para substituir José Roberto Guimarães, quando este saiu da seleção masculina. Estava na lista ao lado de Ricardo Navajas e Radamés Lattari, que acabou levando a melhor. Renan então foi encarar um grande desafio: dirigir o supertime do Olympikus, que contava com craques como o levantador Maurício e os atacantes Nalbert e Giba.
Renan levou o time a mais uma final da Superliga, mas viu novamente o sonho cair por terra. Desta vez, o carrasco foi a Ulbra, do impecável atacante Gílson, que fechou a decisão de 1997/1998 em 3 a 2, para a equipe gaúcha. A revanche não demorou muito e, no Campeonato Carioca, o Olympiukus ficou com o título derrotando o Ulbra na final por 3 sets a 1.
A despedida dos bancos aconteceu em abril, quando o Olympikus derrotou o Banespa por 3 a 2, e ficou com o terceiro lugar da Superliga. Antes de se retirar, ele ainda agradeceu a todos os jogadores do Olympikus, que venceram 23 das 25 partidas disputadas na competição.

A volta ao vôleiMesmo com várias propostas de clubes nacionais e estrangeiros, Renan preferiu mesmo interromper os 25 anos de carreira no vôlei, mesclados entre a atuação como jogador e treinador em 1999. A idéia era se dedicar mais à família, especialmente ao filho Gianluca. “Naquele momento, pensei: já ganhei tantos títulos na vida, mas não preciso mais disso. O que quero é cuidar meu filho. Vou deixar uma das coisas que mais amo, para cuida da pessoa que mais amo.
Ficando afastado por 05 longos anos, Renan assumiu o comando de uma equipe nova no cenário nacional, a Cimed/Florianópolis, em 2004.
Com uma boa estrutura e um elenco formado por jovens talentos, a equipe de Santa Catarina conquistou o título da Superliga logo em sua primeira temporada, batendo o poderoso Minas na decisão. Com um bom trabalho, a Cimed conseguiu manter o time competitivo para a temporada seguinte e com isso, Renan conseguiu novamente chegar à decisão do título, que mais uma vez foi disputada contra o Minas. Só que os mineiros conseguiram a revanche e devolveram a derrota de 2004/2005.
Apesar da derrota, o nome de Renan como treinador já estava em alta novamente e ele recebeu o convite para comandar nada menos que o Sisley Treviso, campeão italiano da temporada 2006/2007. Lá, atuando ao lado de estrelas como o brasileiro Gustavo Endres e Ricardinho, aonde já chegou a ser sondado para dirigir a seleção italiana de vôlei masculino.

16 de novembro de 2008 Posted by | Grandes Jogadores, História | 1 comentário

O início do Brasil no Mundo

 

William. Montanaro. Ronaldo. Bernardinho. Renan e Bebeto de Freitas.

Em pé: Bernard. Xandó. Amauri. Marcus Vinicius. Badá. Fernandão. Maracá. Léo e Rui. Agachados: William. Montanaro. Ronaldo. Bernardinho. Renan e Cacau.

O time comandado por Bebeto Freitas obteve os primeiros resultados expressivos do país no esporte, baseado em um projeto de base do presidente Carlos Artur Nuzman, da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Tudo começou no início da década de 70, quando Nuzman resolveu que as equipes de base ficariam em treinamentos permanentes. Com isso, uma boa safra de craques foi formada e era apenas uma questão de tempo para surgirem os resultados. A primeira grande surpresa aconteceu no Mundial de 82, disputado em Buenos Aires. O Brasil assustou o mundo com jogadas rápidas e um levantador formidável: William. As viradas para os temíveis atacantes Bernard, Renan, Xandó, Montanaro constituíam numa artilharia aos bloqueios adversários.
O time foi derrubando todos os oponentes e acabou chegando à final, contra a União Soviética. Um timaço que afundou as esperanças brasileiras e fez a geração engolir a sua primeira medalha de prata, com fáceis 3 a 0 (15/3, 15/4, 15/5). O revide aconteceria em Los Angeles, nas Olimpíadas de 84.
No primeiro jogo, o Brasil detonou a Argentina por 3 a 1, na partida contra a Tunísia, um jogo fácil que durou apenas 46 minutos, para a seleção de Bebeto fechar em 3 sets a 0.
A zebra passeou na terceira participação tupiniquim, quando a invencibilidade acabou caindo diante da modesta Coréia do Sul por 3 a 1. O troco veio na última partida da fase classificatória, quando o Brasil calou os seus críticos e enfiou 3 a 0 na poderosa seleção norte-americana, para surpresa dos torcedores, que estavam em Los Angeles. Uma atuação irrepreensível do time, que impôs a vitória em 110 minutos de jogo.

Na semifinal, era a vez de encarar a ascendente Itália. Um susto no primeiro set com a derrota por 15 a 12, mas depois a seleção melhorou e, com uma boa participação de Renan, o Brasil venceu os sets seguintes por arrasadores 15/2, 15/3 e 15/5. Com isso, lá estava o país em mais uma final contra os EUA.
No dia, um time irreconhecível entrou em quadra. Bebeto de Freitas tentou de tudo, mas não conseguiu conter a derrota brasileira em 90 minutos.

Os norte-americanos tiravam o nosso sonho de faturar uma medalha em competição mundial. Renan, Montanaro, Xandó, Bernardinho, Domingos Maracanã… O técnico Bebeto fez todas as alterações, mas não conseguiu tirar a surpreendente apatia do time. “Ainda por cima, deu tudo certo para eles”, declarou o técnico, na época.
Para Renan, a prata foi apenas uma conseqüência. “Nós tínhamos o melhor time, mas não estávamos prontos para ganhar.

Perdemos para nós mesmos. Tivemos alguns problemas de relacionamento, já que o grupo esteve junto de 81 a 84″, afirmou. “Não houve estrelismo. Foi mesmo falta de preparo para aquela situação. Por isso, apesar de termos vencido 10 dos últimos 12 confrontos com os EUA antes da final, era impossível vencer aquela decisão em Los Angeles”, reitera o jogador.

16 de novembro de 2008 Posted by | História | 1 comentário

HISTÓRIA DO VOLEIBOL

William G. Morgan

William G. Morgan

O vôlei foi criado em 1895, pelo americano William G. Morgan, então diretor de educação física da Associação Cristã de Moços (ACM) na cidade de Holyoke, em Massachusetts, nos Estados Unidos. O primeiro nome deste esporte que viria se tornar um dos maiores do mundo foi mintonette.

Naquela época, o esporte da moda era o basquetebol, criado apenas quatro anos antes, mas que tivera um rápida difusão. Era, no entanto, um jogo muito cansativo para pessoas de idade. Por sugestão do pastor Lawrence Rinder, Morgan idealizou um jogo menos fatigante para os associados mais velhos da ACM e colocou uma rede semelhante à de tênis, a uma altura de 1,98 metros, sobre a qual uma câmara de bola de basquete era batida, surgindo assim o jogo de vôlei.

A primeira bola usada era muito pesada e, por isso, Morgan solicitou à firma A.G. Spalding & Brothers a fabricação de uma bola para o referido esporte. No início, o mintonette ficou restrito à cidade de Holyoke e ao ginásio onde Morgan era diretor. Um ano mais tarde, numa conferência no Springfield’s College, entre diretores de educação física dos EUA, duas equipes de Holyoke fizeram uma demonstração e assim o jogo começou a se difundir por Springfield e outras cidades de Massachussetts e Nova Inglaterra.

Em Springfield, o Dr. A.T. Halstead sugeriu que o seu nome fosse trocado para volley ball, tendo em vista que a idéia básica do jogo era jogar a bola de um lado para outro, por sobre a rede, com as mãos.

Em 1896, foi publicado o primeiro artigo sobre o volley ball, escrito por J.Y. Cameron na edição do “Physical Education” na cidade de Búfalo, Nova Iorque. Este artigo trazia um pequeno resumo sobre o jogo e de suas regras de maneira geral. No ano seguinte, estas regras foram incluídas oficialmente no primeiro handbook oficial da Liga Atlética da Associação Cristã de Moços da América do Norte.

1895/Associação Cristã de Moços (ACM)

1895/Associação Cristã de Moços (ACM)

A primeira quadra de Voleibol tinha as seguintes medidas: 15,24m de comprimento por 7,62m de largura. A rede tinha a largura de 0,61m. O comprimento era de 8,235m, sendo a altura de 1,98m (do chão ao bordo superior). A bola era feita de uma câmara de borracha coberta de couro ou lona de cor clara e tinha por circunferência de 63,7 a 68,6 cm e seu peso era de 252 a 336g.

O volley ball foi rapidamente ganhando novos adeptos, crescendo vertiginosamente no cenário mundial ao decorrer dos anos. Em 1900, o esporte chegou ao Canadá (primeiro país fora dos Estados Unidos), sendo posteriormente desenvolvido em outros países, como na China, Japão (1908), Filipinas (1910), México entre outros países europeus, asiáticos, africanos e sul americanos.

Na América do Sul, o primeiro país a conhecer o volley ball foi o Peru, em 1910, através de uma missão governamental que tinha a finalidade de organizar a educação primária do país.

O primeiro campeonato sul-americano foi patrocinado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), com o apoio da Federação Carioca de Volley Ball e aconteceu no ginásio do Fluminense, no Rio, entre 12 e 22 de setembro de 1951, sendo campeão o Brasil, no masculino e no feminino.

A Federação Internacional de Volley Ball (FIVB) foi fundada em 20 de abril de 1947, em Paris, sendo seu primeiro presidente o francês Paul Libaud e tendo como fundadores os seguintes países: Brasil, Egito, França, Holanda, Hungria, Itália, Polônia, Portugal, Romênia, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Estados Unidos e Uruguai.

O primeiro campeonato mundial foi disputado em Praga, na Tchecoslováquia, em 1949, vencido pela Rússia.

Em setembro de 1962, no Congresso de Sofia, o volley ball foi admitido como esporte olímpico e a sua primeira disputa foi na Olimpíada de Tóquio, em 1964, com a presença de 10 países no masculino – Japão, Romênia, Rússia, Tchecoslováquia, Bulgária, Hungria, Holanda, Estados Unidos, Coréia do Sul e Brasil. O primeiro campeão olímpico de volley ball masculino foi a Rússia; a Tchecoslováquia foi a vice e a medalha de bronze ficou com o Japão.

No feminino, o campeão foi o Japão, ficando a Rússia em segundo e a Polônia em terceiro.

O criador do volley ball, Willian Morgan, conhecido pelo apelido de “armário”, devido ao seu porte físico, morreu em 27 de dezembro de 1942, aos 72 anos de idade.

11 de novembro de 2008 Posted by | História | 4 Comentários

   

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